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Amabília Almeida é homenageada em noite de lançamento da sua biografia

No última dia 30 de outubro, foi lançado o livro Amabilia Almeida – Mulher e Política. Mais do que uma biografia sobre a educadora, feminista, fundadora da Escola Experimental e política baiana Amabília Almeida, o livro que foi lançado lançado pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) faz uma análise da relação da mulher com o poder. De autoria da historiadora Silvana Oliveira Souza, a obra é resultado de sua tese de mestrado em Estudos Interdisciplinares sobre Relações de Gênero pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Partindo da história de Amabília – que foi educadora, vereadora e deputada constituinte nos anos 80 – a autora busca entender como a mulher, em um contexto de relações de gênero patriarcais, “vivencia, reproduz, contesta ou subverte o poder”. 
 
“Nessa perspectiva, a participação de Amabília Almeida nos espaços de poder constituiu um objetivo específico para articular essas reflexões, pois o fortalecimento da população feminina na arena política tem o potencial de transformar as sociedades”, observou a historiadora na introdução do livro, que será lançado pelo selo ALBA Cultural. De acordo com ela, o envolvimento da biografada em organismos governamentais nos níveis nacional e local leva à criação de políticas e leis centradas na mulher, na criança e na família. 
 
O livro se subdivide em três capítulos, os quais espelham o objetivo em discutir de modo mais integrado possível às experiências de Amabília Almeida. Em resumo, explicou a historiadora Silvana Oliveira, os capítulos tentam responder às questões postas pela investigação. No primeiro capítulo, apresenta-se o contexto histórico nos primeiros momentos, desde o nascimento de Amabília Almeida, em 1929, ano emblemático não só para a Bahia, estado em que nasce a personagem, mas também para o mundo, pois é um ano de crise mundial e de decadência econômica e inúmeras transformações no contexto político-social.
 
Ainda nesse capítulo, a autora passa pela chamada revolução de 30, período que antecede o Estado Novo. “Desta sorte, a narrativa registra, desde os espaços e experiências marcadas por feminismos e patriarcado na infância e juventude, além de destacar a influência de Maria Conceição em sua trajetória, rumo aos primeiros passos para uma construção da consciência de gênero, o casamento com o militante do Partido Comunista Brasileiro, Luiz Fernando Contreiras, e os fatores que motivaram a sua saída de Jacobina (sua terra natal), até chegar à cidade de Salvador e as mudanças advindas com essa decisão”.
 
As discussões acerca da participação de Amabília Almeida nos movimentos de mulheres, a partir da década de 50, constituem o interesse do segundo capítulo, no qual a autora discute a passagem de uma consciência de gênero para uma construção de uma “consciência feminista de gênero”. Para tanto, conta ela, a autora discute o afastamento compulsório do serviço público pelo golpe de 64, suas lutas e resistências ao regime militar. “Destaco ainda em sua trajetória, as dificuldades passadas com os filhos, quando o companheiro é preso pelo regime por duas vezes e os movimentos em prol da anistia nessa conjuntura política do regime militar”, afirmou ela, que analisa ainda o contexto de criação das organizações não-governamentais (ONGs), dando ênfase para as associações femininas em que ela desenvolveu um trabalho.
No terceiro capítulo, a autora apresenta a entrada de Amabília nas instâncias da política partidária, como as representações de gênero articuladas no seu mandato de vereadora e deputada, traçando o contexto do Legislativo, a partir da revolução de 1930, para discutir a Nova Constituição e as preposições de iniciativa apresentadas por ela nesses espaços de sociabilidades de poder, dando ênfase aos projetos e ementas acerca dos direitos das mulheres.
 
Segundo Silvana Oliveira, o livro vai proporcionar ao leitor “adentrar na trajetória dessa personagem que se identifica com o feminismo socialista e que tanto nos marcou com seu comprometimento na educação, seu envolvimento coerente em prol dos direitos das mulheres no cenário político, e seu empreendedorismo na vida, num período onde suas asas ousaram novos voos mesmo quando suas raízes teimavam em mantê-la presa ao solo”.
 
Texto originalmente publicado no site da ALBA